O rei vai nu

Batem as horas do fim da noite e dos tempos

O eco das badaladas faz-se sentir, ribombante

Não sei de onde vem, se é que é real

Pouco importa, a verdade chegará mais tarde ou mais cedo

Feita de outros sons, não tão distantes

Em ondas, nessas, há vida a brotar, serena

Todos os dias a antecipo, e a vivo, sem saber

Vou de mão dada com ela, que me guia

É uma vida incerta, feita à vista, sem rede

Digo-me que é melhor assim, ir perdido, achando-me

Sem rumo nem ramos a amparar-me

Desnudo, como o Rei da história, mas livre

E são, por não me doerem as costas ao andar

Os pesos que carrego, em todos os passos, sei-os só meus

Em mim morrerão, um dia, viúvos de dor

E tudo o mais lhes sobreviverá, até ao meu fim

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s