Quem és tu Edith Werner?

O livro lia-se sem mim, tinha vontade própria

As suas linhas tomavam conta de tudo

Entravam livres, num frenesim louco

Antes que as sentisse já não me domavam

Estranho quando as palavras dos outros nos controlam

É certo que me tocavam, teriam sido escritas para mim?

Não, seria presumir demais, nem sabia quem era esta Edith Werner

Vinha de outro tempo, irreal e distante

Mas falava de pessoas verdadeiras, não de fantasmas

Eram relatos de vidas que na dela se entrelaçaram

Que nós cegos dera nos seus percursos

Alguns nunca desatara, de tão cerrados

Senti uma inesperada empatia com ela

E com os seus; todos me eram igualmente novos

Não precisamos de tempo para sentir calor

Tantas vezes é o primeiro instante que tudo decifra

Foi assim com os passados de Edith, tomei-os

Com outros nomes vi neles todos os meus

Somos feitos de histórias repetidas, pensei

Há paralelos nas nossas vidas diferentes

Como se todos tivéssemos sido escritos pela mesma pessoa

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