O comboio

O comboio atravessa as estepes sem fim
Nada o detém, nem mesmo a mão invisível da noite
Há um trepidar intrépido na sua marcha
Pouca coisa é mais crepuscular que esse avanço
A cada rodada se desbrava mais horizonte
Mas o fim da linha afasta-se em simultâneo, teimoso
É a vida sem querer terminar o que começou
A pouco se pode agarrar além do sonho da moção perpétua
Por isso não abranda o ritmo cadente
Tragando trilhos que lhe foram destinados
Seguindo o rumo que outros lhe deram, que não ele
Sem ter o livre arbítrio de buscar novas jornadas
E gritando a sua dor chiante e incontida
Em revolta pelo desígnio fatal de não ser o dono de si

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