“I did not tell half of what I saw for I knew I would not be believed.”

“I did not tell half of what I saw for I knew I would not be believed.”

Marco Polo

Como com qualquer relato factual, também a fotografia, a minha ainda mais, é redutora na sua essência, pois não consegue captar a plenitude das sensações que vivemos ao viajar. O nosso olhar é sempre maior do que o que a máquina fotográfica comporta, mas é aí que reside a beleza, e a necessidade, da viagem, seja ela qual for. É pelo sonho, é certo, mas também pelo imenso que nos sobra do tangível, que vamos, gravando memórias dos locais onde estivemos, das pessoas que connosco se cruzaram, dos sabores, da adrenalina, até dos medos que nos assaltam no fora de nós que conhecemos ao partir do que já sabemos. Se tudo o que existe além mar, montes, desertos, estradas, se resumisse a palavras e imagens, se isso bastasse, de que valeria pôr o pé na estrada e descobrir o que se esconde fora da nossa zona de conforto?

Esta exposição revela o que vivi pela Ásia, ainda que não conte sequer metade das minhas experiências e aventuras por um continente que nunca conhecerei tão bem quanto gostaria. É um relato na primeira pessoa, porque é assim que viajo e fotografo, sem grande regra ou destino, seguindo o rumo da inspiração, seja ela de um caminho, de uma história ou de uma pessoa. Cada imagem conta a narrativa do seu momento, tentando nascer tão próxima do sujeito quanto possível, pois é nessa intimidade fugaz que reside o valor, pessoal, não o artístico, de uma fotografia.

Não tenho a pretensão, e muito menos a presunção, de ser um viajante como os de outrora, dos quais Marco Polo foi talvez o expoente máximo; esses que como ele iam de “fogo no rabo” e sem rede à descoberta de mundos novos para depois os devolver, às vezes anos após a partida, tantas vezes nunca, em forma de contos escritos ou visuais aos que falhavam em ambição, curiosidade ou coragem para empreender tais demandas de chão e perigo. Hoje é fácil viajar, como com cada vez mais coisas basta pagar o preço, já não há desculpas para não fazer com que o nosso barco saia do porto onde não foi feito para estar parado. Apesar dessa Era das grandes viagens e dos seus intrépidos protagonistas se ter esfumado na crueza artificializada e superficial da vida dita moderna, ainda é possível ter espírito livre e inquieto quando partimos numa busca de mundo. Gosto de acreditar que é assim, com a pureza e a comoção do antes já perdido, que me mexo do meu lugar de câmera em riste atrás destas imagens que hoje vos apresento. Espero que consigam viajar nas suas asas e que elas não vos bastem mas antes vos inspirem a partir mais do que antes.

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