Todo um imenso

Vejo o mar imenso diante mim, está revolto hoje

Fala-me na minha língua, numa chamada de abismo

Vamos tragar-nos, parece trovejar a sua voz

Não são só as ondas que se esmagam na costa a dizê-lo

Todos os elementos conjugam esse convite, feito ordem

O céu, nebuloso e gris, assoma-se no meu olhar, sem pejo

Até o vento me assalta, vindo dos findos cantos do Mundo

Sinto a chuva invisível do céu que chora sem lágrimas

Molha-me em seco para que sofra o que se anuncia

A minha vontade é aspirada para dentro desse redemoinho

Nem a razão me defende do que é irresistível

Forço-me a travar os movimentos, o salto para além

Sei que serão demais as distâncias até chegar a um porto

Se ceder ao oceano não verei terra tão cedo, ou nunca

E apesar disso quero partir, para o vazio dos amanhãs

Porque me arrisco à ironia de soletrar de incerto o futuro?

A largar o pouco chão que construí e onde me ancoro

Acaso sei o que me espera lá, no nada que nem sequer vejo?

É estúpida a valentia que assopra as velas deste barco

Pode bem vir a ser o meu fim, naufragar-me num fundo

Alheio a todas as superfícies onde me fui e me perdi

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