Mistral

Parece que me corta a pele o vento desta manhã

Tem pouco de brisa no seu voar rasante

Não mereço o castigo que me inflige de onde vem

Talvez seja a surpresa de o receber assim, frio

Era outro que esperava, de braços dados no sol cheio

Aqueço-me em mim mesmo, para que não me entre

Lutando contra as montanhas que ergue no meu caminho

Cansam-me os passos ao andar na calçada, outrora plana

É o vento a desafiar a minha vontade, degladiando-me, jocoso

A viagem custa-me o dobro a fazer com tal resistência

Talvez nem chegue aonde vou, essa meta que me falta

Mas não, não será um Mistral a travar-me a marcha

Faço-me mais forte no andar e sigo, esquecendo tudo

Posso ser mais que os Elementos, se assim o quiser

Sei o longe que está a luz que busco neste dia sem termo

Vejo-a funda mas clara, no final deste túnel cheio de vento

Vou fazê-la minha, nem que seja a última vitória que tenho

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