Nada

Desde que a luz se foi que aguardo o silêncio

Parece que vem de longe, porque tarda

Ainda se escutam no ar ruídos claros, perturbantes

Cada tempo se polui de caos em surdina

Está lá, a pairar, a dor que me castiga

Era essa que queria cercear de mim

Para ser novo neste corpo cansado

Todo eu anseio pela paz do nada

Para que me venha rápido até à pele

O repouso virá junto de caminho, leve

Há dias que não durmo o que preciso

Abatem-se sobre o sono tantos sonhos

Em contínuo me despertam do sossego que quero

Só peço a mim mesmo que me dê lonjura

Que me afaste da vista o que é estranho

As feridas, as dores, a mágoa dos adeus

Sereno é como quero estar, vazio até

É estranhamente doce a ausência de tudo

Nela quero adormecer esta noite e as de amanhã

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s