A cegueira que tudo vê

Fecho os olhos e vejo só o céu, nada mais

É uma paz fértil esta de conseguir sair de mim

Há um oásis verde algures nesse olhar cego

Estou lá sozinho de tudo o que me castiga

Que bom este sereno, é tão irrealmente puro

Não me vou demorar, sei isso, não poderia

Tudo o que é demais cansa, dizia a minha avó

Esgotar a bonança deste refúgio seria um crime

Por fantasioso que seja, sinto a sua verdade

Parece ser esta minha hora, o tempo intima-me a ir

O calor da pressão de partir assalta-me os pulmões

Respiro discretamente, para que o futuro não me perceba

Não quero estragar-lhe a surpresa da minha chegada

Espero que tropece em mim no abrir da porta

Para lhe ler no rosto o que eu já sabia ser eu

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