Ópera a três tempos

De dentro de casa escuto uma festa de aldeia

O som atravessa os pinhais e as encostas

Não vejo nada senão o natural

Mas está lá, o Homem, algures atrás do verde

As crianças juntam acordes às músicas populares

Foguetes, um carrocel que gira e gira

Outros sons que não decifro

É uma amálgama de ruídos, e estão longe

Se não houvesse vento não chegariam aqui

Mas a brisa corre desde manhã, e vai trazendo vida

Gosto que estejam lá esses ecos, afastados, mas presentes

Acompanham a minha tarde, estou só sem mim

É melhor a companhia invisível, por vezes

Dá-nos a ausência até do que somos

Não me atrevo a sair para o frio exterior hoje

Está mais deserto lá fora, sem a minha paz

Resta-me beber essas melodias da distância

Deixá-las amar-me a pele numa ópera a três tempos

Enquanto me evado por entre as minhas memórias

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