Adeus ao mar

Cheguei ao porto ainda falava o dia inteiro

Gaivotas e corvos do mar gralharam a minha entrada

Era a última vez que me veriam, antes da partida

A terra chamava-me há tempo demais, a hora tardava

Sim, sou feito de mar até ao osso, mais além até

Mas cansa-me o castigo do sal, do sol pesado

Preciso de outro fresco, longe da maresia

Quero dias sem o longo do horizonte sem fim

Passar a ser homem de vistas fechadas, curtas

Foram anos a mais a riscar as águas alheio de rumo

Fez-me ausente da vida, dos que me amaram

Tanto me fugiu entre os dedos, tão pouco guardo

Não quero mais seguir sem chão, perdido

Desejo escutar os sons das manhãs no campo

Ser recebido por outras aves ao regressar a casa

Ouvir gritos sem nomes de velas ou cordas

Só anseio ser fixo nos dias que ainda tenho

Saborear o gosto do simples, do que desconheço

Conseguir o equilíbrio vital que o mar me tirou

É tudo o que quero, pouco para tantos, imenso para mim

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